Programa de História das Ideias em Física
Ano Lectivo 2000-2001
Curso Subordinado ao Tema: A Revolução Científica dos Séculos XVI e XVII:
A História da Física dos Gregos até Newton
Aulas Teóricas: Professora Ana Simões
Aulas Teórico-práticas: Professores Ana Simões e Henrique Leitão
Contactos dos professores da cadeira:
Ana Simões:
FCUL, C8, piso 1, gabinete 8.1.36
telefone 217500817, extensão 28136
E-mail: asimoes@fc.ul.pt
Henrique Leitão:
CFMC, Universidade de Lisboa,
Av. Prof. Gama Pinto, 2, 1649-003 Lisboa,
Tel: 217904876
E-mail: leitao@cii.fc.ul.pt
AULAS TEÓRICAS:
- Porquê uma História da Física?
Visões do mundo
aristotélico-ptolomaica, visão do mundo newtoniana e visão do mundo do
século XX. A noção de revolução científica e a proposta de Thomas
Kuhn.
- A contribuição do mundo grego para o estudo dos movimentos na Terra
e nos céus. Relação entre a 'física' e modelos cosmológicos
A physikê grega. O milagre grego. Indole laica do racionalismo grego. Os
filósofos naturalistas pré-socráticos. As contribuições de Tales,
Anaximandro, Anaxímenes, e dos Pitagóricos. As sugestões opostas de
Heráclito e de Parménides. Os quatro elementos de Empédocles e as
propostas dos atomistas Leucipo e Demócrito. O idealismo de Platão. O
papel priveligiado das matemáticas. O Problema de Platão na
astronomia. O estatuto não-científico da 'física'. A cosmologia
aristotélica: sua fundamentação e relação com o sistema das esferas
homocêntricas de Eudóxio. A relação entre a estrutura do cosmo e a
física aristotélica. Objectivos e características fundamentais da
física aristotélica. Modelos geocêntricos e conhecimentos astronómicos
que pretendiam acomodar. As contribuições de Apolónio, Hiparco, e
Ptolomeu. Os epiciclos, deferentes, excêntricos. O ponto equanto de
Ptolomeu. Determinações de distâncias astronómicas. O insucesso dos
modelos não-geocêntricos. A ciência helenística. Suas
características. Eratóstenes e a determinação do diâmetro da
Terra. Euclides e o programa de axiomatização da geometria. As
contribuições de Arquimedes no contexto da matemática e da física. A
matematização da estática. A hidroestática.
- Período medieval e Renascimento
O papel da civilização árabe. A problemática da
transmissão. Contributos inovadores. O período medieval europeu. A
Igreja como detentora de autêntico monopólio cultural. Mosteiros e
escolas episcopais. O nascimento das universidades. A escolástica. O
drama do fascínio do aristotelismo. O problema central da ciência
medieval. A óptica, o magnetismo, a astronomia e as matemáticas. O
estudo do movimento: a descrição abstracta dos movimentos e o cálculo
das 'formas'. A crítica à explicação do movimento violento
aristotélico: a noção de 'impetus '.
O período das descobertas
marítimas e o alargamento dos horizontes geográficos e intelectuais do
homem renascentista. A imprensa e a difusão da cultura. O papel do
mecenato científico. O Renascimento científico: a vingança de Platão
sobre Aristóteles? Magia natural e ciência. Paracelsus e a
iatroquímica; o magnetismo e Gilbert.
- A Revolução Científica e
a astronomia
Um homem do Renascimento: Copérnico. As suas
contribuições para a astronomia. Elos de ligação com o passado e
inovação. As implicações do modelo heliocêntrico.
Reacções ao copernicianismo no século XVI. O legado de Tycho Brahe:
novas observações e suas implicações, a precisão dos novos
instrumentos, novas regras para a observação dos céus. O modelo
ticónico. Kepler: ciência ou numerologia? Contributos e início de uma
nova problemática para a astronomia: Porque se movem os planetas?
Galileu construtor de instrumentos. A introdução da luneta na
astronomia. As observações galilaicas e as suas implicações. O
processo Galileu.
- A Revolução Científica: uma nova física
A física galilaica. Uma
nova física, uma nova epistemologia. O papel da teoria, da experiência
e da matematização da 'física'.
Newton: a vida e a obra. Ciência, alquimia e estudos de cronologia
biblíca. Unificação da física celeste e da física terrestre. A física
e a metafísica newtonianas. A óptica, os prismas e a decomposição da
luz.
A questão do vazio: da filosofia à filosofia experimental. Os gases,
os átomos: Torricelli, Pascal, von Guericke, Boyle.
- A Revolução Científica: novas propostas
epistemológicas. institucionalização da ciência. Ciência e religião
A nova ciência: como conhecer? Bacon e o indutivismo. Uma
contra-proposta: Descartes, o dedutivismo. O mecanicismo cartesiano.
A institucionalização da nova ciência. A criação das novas sociedades
científicas. Novas regras para a comunicação dos resultados. Prémios:
o esclarecimento das leis dos choques. Um novo tipo de 'cientista':
Huygens e a mecânica.
Causas da Revolução Científica: ciência, religião e a Royal Society. A
tese sociológica de Merton e as objecções de Feuer. O caso de uma
revolução científica falhada na China.
- Ciência num país periférico: o caso de Portugal
Como abordar o
estudo da ciência em países periféricos. Algumas noções a explorar: a
problemática da 'difusão/transmissão' versus 'apropriação', o papel
activo da cultura receptora; o estabelecimento e desenvolvimento de
redes (networks).
Ciência em Portugal: o papel dos Jesuítas nos séculos XVI e XVII. O
papel dos 'estrangeirados' no século XVIII.
- E depois da Revolução Científica?
Ciência e Iluminismo. As visões
mecanicista e electromagnética do mundo físico e os seus
problemas. Física, epistemologia e sociedade no século XX.